NOTAS FINAIS





  • Preâmbulo



    Há vários documentos em defesa da reconstrução do regime democrático.

    Entre os signatários do manifesto figuram várias figuras públicas, ex-ministros, ex-deputados, entre outros. Outro documento, Novo Rumo faz referência aos obscuros jogos do capital que podem fazer desaparecer a própria democracia, alerta para a multidão de aflitos e de indignados que existe entre nós que espera por uma alternativa inovadora.

    Salientamos o seguinte:

    - Defesa da reconstrução de um regime democrático e o fim da concentração do poder político nos partidos.

    - O que está em causa já não é a opção pela democracia, mas torná-la efectiva e participada. Não está em causa governar, mas corrigir um rumo que nos conduziu à actual crise e realizar as mudanças que isso implica.

    - Já não está em causa aderir à Europa, mas participar no relançamento do projecto europeu.

    - Chamar a atenção para a tragédia social, económica e financeira a que vários governos conduziram o país, dificultando a participação democrática dos cidadãos e impedindo que o sistema político permita o aparecimento de verdadeiras alternativas.

    - Ruptura que passa por três passos fundamentais, começando pelas leis eleitorais transparentes e democráticas que viabilizem eleições primárias abertas aos cidadãos na escolha dos candidatos a todos os cargos políticos.

    - A abertura da possibilidade de apresentação de listas nominais, de cidadãos, em eleições para a Assembleia da República, tornando obrigatório o voto nominal nas listas partidárias.

    - A necessidade fundamental da garantia de igualdade de condições no financiamento das campanhas eleitorais.

    - Urgente reivindicar a democratização do sistema político com firmeza exigindo de todos os partidos a legislação necessária.




    A nossa ideia



    Vamos procurar chamar à atenção, que é preciso uma verdadeira regeneração da democracia e que é premente mudar. Não somos políticos e passamos a anti-políticos, somos simplesmente pessoas, cidadãos preocupados com o rumo dos acontecimentos deste país e de Matosinhos, faz muito tempo. Nunca tivemos a preocupação de elaborar grandes textos, mas sempre fizemos críticas, propostas e recomendações. Verdade que nunca fizemos um texto elaborado, mas agora chegou o momento.

    É preciso corrigir os erros da democracia e melhorá-la. A maneira mais evidente para mudar este estado de coisas em eleições era votar de forma diferente do habitual, e dar uma chance a outras personalidades. Ou quem está enfadado com tudo isto não ir votar. O voto em branco não tem representantes, o voto nulo não tem efeitos práticos. Se todos não votássemos a legitimidade sairia ferida de morte.

    Mas nesta plataforma temos a chance de mudar o nosso sentido de voto e de política para Matosinhos.

    Esta crise actuou como uma lupa em que mostra os defeitos da democracia que já existiam, mas não se tinha a exacta percepção.

    A resposta a esta crise está entrelaçada: a resposta para a saída da crise está na política e nos políticos, mas por sua vez a política e os políticos estão em risco pelo descrédito e má imagem na opinião pública.

    A maioria dos cidadãos é a favor de mudanças: na Constituição; nas Instituições Públicas; no modelo de Estado; em Matosinhos.

    Vamos reinventar a democracia e fazer uma revolução pacífica de ideias, comportamentos e atitudes com muita persistência e denodo, todos os dias, com actos e não palavras.

    E, desculpem-nos, não pode ser feito por quem esteve em cargos de chefia tantos e tantos anos e agora limpam as mãos como Pilatos. Muitos deles têm culpas no estado a que isto chegou, foram ministros, deputados, autarcas, entre outros, com responsabilidades públicas. É uma incongruência e a cara não diz com a careta!

    Quem se interessa por política, quer participar e ter voz activa, mas não tem como nem onde. Esta plataforma vai procurar reunir condições para que tal aconteça.

    A política é algo nobre, é pena ser mal frequentada.




    O que propomos



    É preciso uma nova política para o séc. XXI, que se demarque dos vícios da velha política. É preciso que haja uma revolução de ideias e mentalidade pacífica, e uma opinião pública interventiva e inteligente.

    Portugal, e neste caso, Matosinhos precisa de se reiniciar, como se faz com os computadores. Os portugueses e os matosinhenses deixaram de acreditar e acabarão por perceber que não chega substituir uns dirigentes políticos por outros; é preciso alterar o sistema político, que deixou de funcionar, é um sistema gerador de défices e bloqueios sectários.

    Esta plataforma pretende passar a mensagem de que, em democracia, deve existir não apenas uma participação representativa, mas também, uma participação cívica.

    Nelson Mandela é uma das nossas inspirações, é uma figura que nos orienta em acções e actos. É um homem que nunca quis o poder e sempre teve muito poder; que se pode servir sem ter um cargo político. É esta a lição que retiramos da sua história.

    Com Mahatma Gandhi aprendemos que a alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido e não na vitória propriamente dita; que a única revolução possível acontece dentro de nós.

    Vamos viver intensamente esta Plataforma sem necessidade de viver dela. Com muita paciência, muito trabalho, muita persistência, mas também com muita alegria.

    Está na hora de darmo-nos a conhecer e tornar este processo não fastidioso.

    Temos pensamento e ideias sobre o que se passa em Matosinhos e não nos coibimos de dar sugestões.

    Esta plataforma vale pelo processo em que vamos empenhar-nos, o resultado é importante, mas não é per si um caso de vida ou de morte.

    Se conseguirmos ter êxito tanto melhor, se não o conseguirmos voltamos para casa com a consciência do dever cumprido.

    Nós achamos que vale a pena contribuir para que as pessoas percebam como se desenrola o processo de uma candidatura independente a uma câmara, neste caso, em Matosinhos. Já nos damos por satisfeitos. Devemos lutar pela mudança do funcionamento do sistema político. Forçosamente, é nosso dever cívico e de consciência estar neste desafio, tentar e ir até ao fim.

    Sabemos para onde vamos e com quem estamos a bater-nos.

    Estamos nesta contenda, não por lugares ou privilégios, mas pela mudança de atitudes e comportamentos.

    Esta plataforma pode ser o testemunho de que se conseguirmos erguer uma candidatura à CM Matosinhos em 2021, já será um êxito. A façanha de o conseguir será uma vitória inimaginável protagonizada por maioria de pessoas que vêm genuinamente da sociedade civil.

    A política reclama abertura e outro tipo de protagonistas. A dicotomia dentro/fora, nós/eles, militante/não militante e o próprio/ alheio têm os dias contados.

    Os partidos têm que fugir de conceitos zombies, estando ancorados num passado idealizado, no fundo, uma prematura forma de acabarem. O seu estatismo metodológico é o responsável por não dar resposta ao afastamento dos cidadãos e há enorme abstenção. Neste processo não queremos o apoio de quem nos difama e denigre e dos invisíveis que tudo vão fazer para fracassarmos. Todavia queremos o apoio de quem nos respeitar e aceitar.

    O nosso lema é primeiro está Matosinhos, depois os cidadãos, e só, depois esta Plataforma.

    Trazer mulheres, jovens e seniores para esta plataforma, as mulheres são o melhor elemento civilizador e apaziguador da humanidade.




    Ter crença



    Há algo que está a falhar estrondosamente, basta ver a abstenção. Trata-se somente de pensar. Se os nossos políticos e gente dos partidos reflectissem com o mínimo de sensatez e prudência, davam conta do que se está a passar.

    Não é só a austeridade pelos cortes sociais e económicos. Há um drástico corte nas oportunidades e liberdade dos cidadãos. Ainda não perceberam que "a vida não examinada não vale a pena ser vivida". Podem estar no poder e ter altos cargos, mas não passa disso. É muito importante saber-se como se chegou a esse cargo, a forma como se exerceu esse cargo, por fim, a forma como se saiu desse cargo.

    As pessoas estão fartas, desesperadas, cabisbaixas, indignadas, pelo desemprego, cortes e corrupção. As pessoas estão cada vez mais alheadas dos políticos que teoricamente defendem os seus interesses. As pessoas e os políticos estão num transe de divórcio: não se fiam um pêlo nos políticos. Uma parte da consciência colectiva sente-se abandonada.

    Este sistema político está caduco e está a carregar o próprio sistema. As pessoas têm que se habituar a não delegar em figuras concretas, mas a exercer um controle constante. Não somos meninos dependentes do papá.

    Não somos anti-sistema, mas apostamos na regeneração da democracia. Como os políticos não nos oferecem soluções, há a tentação de corrê-los todos e que venham os anti-políticos. Mas isso não é política, é uma explosão que pode aliviar, mas não resolve o problema.

    Apesar do desafecto com os políticos, a política interessa e muito. É preciso uma revolução tranquila dos cidadãos que não se sentem representados. É preciso alguém com sentido comum, capacidade de liderança e uma base moral honesta. Que não se afogue em populismo e transforme a força da desilusão das pessoas em gestão política de verdade. Acabar, de uma vez por todas, com os privilégios dos políticos.

    Os partidos não têm que nos dar a solução, só têm que parar de obstruir as soluções que a sociedade, muito à frente deles, já tem. Queremos um país e Matosinhos para quem cá vive e não para quem o governa. O país e Matosinhos precisam de uma redefinição ética, cívica e moral, em tudo. Sonhar é preciso, o tesouro de todos os sonhos. Pensar é preciso, o tesouro de todos os pensamentos e da mudança.

    Vamos ter ilusão, sonhar e crença nesta ideia, que vamos ser capazes. Transformar esta quimera numa realidade, transformar esta plataforma numa candidatura vencedora em Matosinhos em 2021.

    O primeiro passo é tentar atrair pessoas que não votam.

    Vamos procurar não defraudar as expectativas, atrair pessoas bem formadas e informadas, que olham para os políticos numa posição de igualdade, quando não, de superioridade. Não sentem obrigação por enquadramento de classe ou de pertença, ao contrário, de outras que são fiéis a uma sigla.

    Talvez, tenhamos mais possibilidade de êxito se as convencermos e as fizermos sentir que decidem livremente e sem imposição. Vamos tentar ter connosco quem ama a liberdade, tem a sensação de estar livre e não depende de ninguém.

    Queremos ter connosco quem seja capaz de abraçar este projecto com autonomia e espontaneidade.

    Até 2021!




    Todos os textos desta plataforma não estão fechados, estão abertos a novas ideias e sugestões.
    Os conteúdos apresentados foram elaborados em Junho de 2018.






    Todos os conteúdos estão acessíveis ao público, para serem usados, partilhados, reutilizados, remisturados, tudo de forma legal e livremente desde que seja mencionado a sua fonte e autoria.
    Enquanto organização cívica, valorizamos a ideia de openness, de conectividade além-fronteiras e meios, e procuramos possibilitar a inovação numa era digital.